Frida além dos objetos decorativos

Foto de Frida Kahlo

Flores e cores vibrantes se encaixam perfeitamente como decorações de bolsas, cadernos e como tema de restaurantes. Não é à toa que Frida Kahlo representa tão bem seu país de origem, o México, em inúmeras peças decorativas espalhadas mundo afora.

Sou fascinada pelas cores que lembram a cultura mexicana e não foi nem uma e nem duas vezes que cocei os dedos, ou melhor, o cartão de crédito, para comprar algo que pudesse lembrar a vibração desse povo, que até onde sei, conseguem ser mais simpáticos que nós, brasileiros.

Nos últimos meses, tenho me aproximado mais e mais dos movimentos feministas e notado que para além dos objetos decorativos, Frida Kahlo é a imagem que representa a luta pela igualdade de gênero.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o historiador não conhece a história de tudo e nem de todos, assim como um médico tem sua especialidade, nós também temos a nossa. Por isso, até então eu não conhecia a história por trás de Frida Kahlo. Foi então que, curiosamente, pesquisei sobre essa mulher icônica e compartilho com você 

Um pouco sobre a vida de Frida Kahlo

Nasceu no dia 06 de julho de 1907 na famosa Casa Azul, localizada em Coyoacán, Cidade do México. Pela data de nascimento, alguns poderiam afirmar que sua personalidade sentimental, expressa em quadros e diários, seria culpa do signo canceriano, mas sua história, carregada de tragédias, justificaria suas constantes queixas.

Quando criança, foi acometida pela poliomielite, e como se não bastasse, quando jovem, sofreu um acidente que a deixou entre a vida e a morte. Repleta de sequelas, passou por inúmeras cirugias, abortos e dores crônicas, sem contar sua relação conturbada com o famoso artista Diego Rivera.

Conseguiu entrar para o curso de medicina em uma escola concorridíssima, fazia parte do partido comunista, vez ou outra vestia-se de terno, praticava esportes exclusivamente masculinos e era bissexual.

Começou a pintar após o trágico acidente que sofreu, já que ficou um longo período de cama. Sua intenção era expressar toda a dor que sentia através dos quadros. Só depois de anos é que se reconheceu como uma artista profissional, com exposições exclusivas em Nova York, Paris e no último mês de vida, no México.

No final de sua vida, já não conseguia mais se locomover devido à amputação de seu pé direito e aos 47 anos morreu na Casa Azul, de embolia pulmonar.

Assim como acontece com boa parte dos artistas depois que morrem, hoje, os quadros de Frida Kahlo valem milhões. E muitos deles foram descobertos há pouco tempo, trancados em um dos quartos da Casa Azul por anos (I can’t believe nisso!).

Caso eu tenha aguçado a sua curiosidade, aqui vai um documentário bem completinho e aprofundado da vida da artista:

Por que ela é a representação do feminismo?

Bora pensar com a cabeça de quem nasceu e viveu no início do século passado, né mores?

Conseguem imaginar que ali por 1920 e lá vai pedrada era inconcebível uma mulher ser estudante de medicina, politizada, praticar boxe e ter sua própria exposição de arte? Quem dirá assumir que sexo era uma forma de aproveitar a vida e um impulso vital. Jamé!

Ela fazia piadas sarcásticas com pessoas de alto escalão, como Henry Ford, e não tava nem aí para a opinião alheia. Assim como seu marido, teve relacionamentos extraconjugais, pois sabia que a poligamia não deveria ser uma exclusividade do seu companheiro.

Em uma época (e só na época, tá? ) que a mulher precisava ser a fina, recatada e do lar, ela quebrou padrões da sociedade conservadora e inspirou milhares de mulheres a questionarem o que estava posto até então.

É provável que a Frida Kahlo nunca imaginou que seria influência e abriria o caminho para todas nós, e é por essas e outras, que independente de sermos ouvidas (ou lidas) por uma ou milhares de pessoas, devemos continuar questionando, falando e lutando pela tão sonhada igualdade de gênero.

Os movimentos sociais são lentos e, por vezes, quem os iniciou não conseguiu colher seus frutos em vida. E está tudo bem, porque o importante é o legado que deixamos para o mundo que vivemos, é a diferença que fizemos na vida das pessoas, seja hoje, ou daqui muitos anos, assim como Frida Kahlo fez e ainda faz por todas nós.

PS: Se quiser conhecer mais fridas, como eu, clique aqui.

Anibia Machado

Historiadora que escreve, faz magia com os dados e encanta nos palcos. E tem mais: não come bichinhos e só compra o necessário para poder viajar mais e mais. Tem a missão de inspirar as pessoas a compreenderem as diferenças, para que junto possamos ser livres para sermos diferentes! No Instagram: @anibiams.



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