Cala-te

Foto | Kristina Flour

Mulher,
Cala-te
Quem és afinal
Para falar de direitos
Quem és para pensares
Que do português
Te aplicam os sujeitos
O único sujeito que estás sujeita é à sujeição
A obediência
A sujeira
Da crença
Que o sangue que escorre
É impuro
É doença
Cala-te, poeta
Quem és para pensares
Que podes ser perpétua?
Chamo-te poetisa
Te oculto
Aqui não pisas
Terra de heróis
Tu, nenhum dote herdas
Suas ancestrais morreram queimadas
E mesmo assim ainda protestas?
Nasceste na terra
Em que Zeus é ídolo
Supremo, poderoso, temido
A terra em que Medusa
Estuprada no templo
Foi castigada
E homem nenhum
Punido
Cala-te,
Promíscua
Achas que devo te fazer gozar?
Quem és tu?
Feminista?
Cala-te,
Patriarcado
Meu existir nunca será capital
Por ti explorado
Vejo que sabes meu nome
Apesar de anos de silenciamento
A minha geração
Vai esmagar a tua opressão
Não vai te restar
Um único instrumento.
Milena Piccoli

Eu tenho 16 anos, sou apaixonada por literatura e escrever é minha maior paixão. Tento mudar o mundo através de palavras e um dia, quem sabe, tento mudar através da educação também. Escrevo no insta @poetatentandoser.



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