Confissão de uma ex-justificadora anônima: eu quero dinheiro!

Foto | Sharon McCutcheon

Já para começar, preciso te falar: você está lendo uma coluna de uma mulher que ADORA dinheiro! Uma ex-justificadora anônima!

Explico-me: não sei se foi meu lado aquariana – a diferentona e desapegada do mundo; não sei se foi minha simpatia pelo esoterismo ou mundo nômade; não sei se foram meus muitos anos dedicada a uma religião em que “é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus”; ou se foi uma baixa estima que alimentou um sentimento de  “isso não é para você”. Provavelmente uma boa dose de cada uma dessas coisas, e outras tantas que vêm do histórico de família, pessoas e ambientes que convivi, e decepção com pessoas que, um dia, mitifiquei. 

Mas até poucos anos atrás eu era uma justificadora! Eu tinha um vício mental, um bloqueio para admitir que queria e gostava de dinheiro. Foram anos tentando justificar para mim e para os outros como era linda a minha intenção… 

Sabe… não é dinheiro o que quero: eu quero a liberdade de escolher as coisas da minha vida, sem depender de ninguém. 

Sabe… não é dinheiro o mais importante: o que eu busco é conhecer novas culturas, me conectar com sabores, perfumes, sentimentos e conhecimentos diferentes. Isso sim é riqueza! Isso sim me dá significado!

Sabe… não é pelo dinheiro… eu só queria botar em prática esse projeto de desenvolvimento humano que tem essa contribuição tão linda.

Por mais verdades que esses discursos contenham – e estou abrindo mão, neste texto, de falar do significado intangível do dinheiro – há duas grandes armadilhas aí:

  1. No meio desse monte de “justificativas” se esconde uma arrogância: “Meu entendimento a respeito da vida é mais elevado… Desejar dinheiro é coisa de gananciosos, capitalistas sujos. Meu propósito, esse sim, é nobre!”; e
  2. Ao atribuir ao dinheiro os pecados do mundo, indiretamente menosprezá-lo. Como consequência, o desprezo vira aversão, que se transforma em ausência! Sem dinheiro, a capacidade de ação fica limitada e transforma-se em frustração de, por anos, ver outros realizarem coisas “menos importantes”.

Para fazer uma analogia: amo animais! Se quero montar a casinha dos meus cachorros (tenho 3! rsrs), vou precisar de ferramentas para facilitar minha vida, certo? Por exemplo, um martelo! Por trás do uso do martelo há sim uma função maravilhosa: proteger o meu bichinho. Na falta desta ferramenta, será bem mais complexo montar a casinha. Posso até fazer uma adaptação, com uma pedra ou algum outro objeto, mas chances são de danificar a casinha. 

Muito provavelmente você deseja ter um martelo, nesta situação. Naturalmente, se você não tiver, dará seu jeito e pode deixar tudo muito leve também, mas ter o martelo tem seu valor! Não é errado desejar um martelo, né? Por que é errado desejar dinheiro?

Você pode me dizer: Paula, este exemplo é assimétrico. O dinheiro mexe com as emoções humanas e as pessoas viram gananciosas e arrogantes! Bem… preciso te lembrar que pessoas perturbadas são capazes de agredir outra pessoa com um martelo! A ponto de danos graves.

O problema não está no martelo (nem no dinheiro). O ponto de questionamento tem que estar na pessoa que faz o uso daquela ferramenta. O dinheiro será apenas um intensificador daquilo que ela possui dentro de si. Se uma pessoa boa é rica, pense no tanto de bem que pode fazer aos outros. Se uma pessoa é má, pense no tanto de dano que pode cometer.

Seria lindo que o máximo possível de pessoas boas desejassem e conquistassem dinheiro, objetivamente! Essas são as pessoas que podem mudar o nosso mundo!

Quis compartilhar este meu relato de ex-justificadora anônima (sempre em recuperação), porque sei percebo que, especialmente, mulheres sofrem desse vício de se justificar. Vejo mulheres incríveis terem sonhos incríveis e não conseguirem concretizar; empreendedoras que prestam serviços maravilhosos e têm medo de cobrar por eles.

Você se reconhece como uma justificadora? Que tal materializar seu sonho em números? Minha missão é sim humanitária, mas agora eu tenho a tranquilidade de falar que quero dinheiro.

Ele é um caminho para acelerar meus resultados!

Paula Bazzo

Paula Bazzo é administradora e psicóloga e trabalha com bem estar financeiro. Ela é sócia e consultora na Batom no Azul, uma empresa de inteligência financeira para mulheres. Ela vai passar de tempos em tempos por aqui para mostrar porque dinheiro e feminismo precisam dialogar.



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