Das coragens adormecidas

Foto | Marina Papaspirou | Creative Liberation

As dores

São as coragens adormecidas

Silenciadas, esquecidas

Ignoradas

Nas suas faltas dormem os ossos,

As juntas, a cabeça

O corpo fala como que em suspiro

De saudade de tudo

Que se pode ser

Tentando em dor atenta

Desvelar-se

As dores de si migram para o corpo

Como que por estratégia

 

É o corpo que cria e recria

Quem somos

Nos doem os movimentos usuais para

Que criemos outros

É nos movimentos novos que podemos

Nos tornar quem somos

As dores nos movem

É o grito das coragens enganadas em

Retóricas sobre nós mesmos

O corpo é nosso salvador

Suas dores e doenças

São nossas curas.

Nossa esperança. Nossa chance.

 

 

Samantha Buglione

Escritora, mãe do João Ignácio e da Elisa, filósofa e doutora em Ciências Humanas. Atualmente faz uso da fenomenologia de Goethe e da hermenêutica para aprender a ver o mundo. Por anos trabalhou com gênero, direitos humanos, direitos sexuais e reprodutivos e bioética em organizações do terceiro setor, pesquisas e consultorias. Já participou de varias conferências das Nações Unidas sobre o tema da autodeterminação e liberdades sexuais e reprodutivas.



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