Educação financeira para crianças: aprenda a ensinar*

Foto | Caroline Hernandez

Você sabia que, com a homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a educação financeira para crianças deve estar incorporada no currículo escolar? Embora tenha recebido destaque explícito somente na área da matemática, a ideia é que diferentes disciplinas passem a abordar temas como consumo consciente e planejamento financeiro junto a nossas crianças até 2020.

O Brasil não é o único a adotar a novidade no currículo: nos Estados Unidos, por exemplo, a educação financeira é matéria obrigatória no ensino médio em 17 estados. Por mais que, à primeira vista, o assunto possa parecer complexo para crianças, a notícia é positiva para as famílias.

Afinal, segundo a Pesquisa Nacional de Educação Financeira nas Escolas, realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (Abefin) e Instituto Axxus, mais de 80% das crianças com boa educação financeira economizam parte do que recebem para realizar seus sonhos. Em outras palavras: a educação financeira para crianças ajuda a criar adultos mais conscientes no futuro, sendo que a pesquisa também revelou que os estudantes podem atuar como multiplicadores e ajudar os pais a comprar de forma consciente. Bacana, né?

Como ensinar educação financeira para crianças no dia a dia

Embora a escola represente grande parte da educação infantil, pais e mães ainda são a primeira e principal fonte de referências para as crianças, seus hábitos e comportamentos terão efeitos significativos no futuro dos filhos e filhas. Por isso, podemos dizer que a falta de educação financeira infantil pode gerar adultos que se formam na faculdade capazes de fazer cálculos complexos, projetar prédios ou mesmo curar doentes, mas que não são capazes de gerenciar o próprio salário… Abordar esse tema no dia a dia não precisa ser complexo. Separamos algumas dicas que vão lhe ajudar no processo de educar financeiramente as crianças do seu convívio! Veja só:

Estimule o uso do bom e velho cofrinho  Estimule as crianças a guardarem parte do dinheiro que ganham em um cofrinho! E nossa dica é que ele seja um pote transparente, para que a criança possa visualizar claramente o dinheiro aumentando e se sinta ainda mais motivada a poupar.

Dê uma mesada fixa O valor deve ser compatível com os gastos de uma criança e pode ser atrelado a certas obrigações, como ajudar na casa (manter o quarto organizado, colocar a mesa do jantar etc.). O objetivo é ajudar a criança a criar uma noção de geração de renda e de planejamento, já que, com um orçamento limitado, ela precisará repensar e priorizar seus desejos de consumo – ao invés de sempre pedir aos pais cada item que quer comprar esperando um “sim” ou “não” que, muitas vezes, é arbitrário para ela.

Ajude na formação de metas claras Ensine a criança a traçar metas claras de consumo (o que quer exatamente, até quando deseja fazer aquela compra, quanto precisa economizar por período para isso etc.) e incentive-a a persistir até alcançá-las. Por exemplo: se a criança quer um brinquedo novo, estimule-a a economizar para comprá-lo sozinha – e aqui entra o planejamento financeiro que a mesada permite!

Delegue tarefas Dê certa quantia em dinheiro vivo para que a criança compre algo no supermercado e peça para que ela volte com o troco. Isso ajuda a fazê-la criar um senso de responsabilidade e a entrar em contato lentamente com o mundo das finanças.

Ensine brincando Existem jogos de tabuleiro, como o Banco Imobiliário ou Jogo da Vida, que são bons aliados quando o assunto é educação financeira para crianças. Mas atenção: siga as regras e não as deixe ganhar no esquema “café com leite”. Assim elas também passarão a entender que, na vida, às vezes ganharão e em outras ocasiões irão perder, formando o conceito de risco.

Deixe a criança cometer erros Às vezes, as melhores lições vêm de decisões ruins. No caso do brinquedo, por exemplo, se a criança não tiver o dinheiro suficiente para comprá-lo pois gastou sua mesada com refrigerantes na escola, resista à tentação de dá-lo de presente. Pode ser doloroso no início, mas só dessa forma ela entenderá o valor das coisas,  saberá lidar com a frustração em alguns momentos e construir disciplina para conquistar seus objetivos.

Por mais que a educação financeira seja importante para o futuro das crianças, muitos pais e mães não dedicam seu tempo a isso, muitas vezes porque eles próprios nunca aprenderam a lidar com o dinheiro de forma adequada. Mas isso pode ser facilmente resolvido!

Atualmente, existem informações disponíveis na internet, workshops, consultorias. Aqui na Batom no Azul, por exemplo, oferecemos um curso de finanças feito exclusivamente para as mulheres que se preocupam com o futuro financeiro de si mesmas e de suas famílias: o curso on-line “Coragem do Ser Rica“. Não deixe de conhecer e contar para a gente o que você achou!

* Esse texto foi originalmente publicado no blog da Batom no Azul, empresa comandada pela frida Paula Bazzo.

Paula Bazzo

Paula Bazzo é administradora e psicóloga e trabalha com bem estar financeiro. Ela é sócia e consultora na Batom no Azul, uma empresa de inteligência financeira para mulheres. Ela vai passar de tempos em tempos por aqui para mostrar porque dinheiro e feminismo precisam dialogar.



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