É sempre sobre escolhas, né?

Foto | Eric Ward

São sempre as escolhas. Pena que nem sempre a gente perceba. Dia desses fui fazer uma diligência no centro de Porto Alegre, me mandaram pro endereço errado. Fui de ônibus e o escritório que me contratou paga vinte (isso! VINTE) reais pelo ato. Lógico que fiquei doida quando descobri que não era ali, na hora mandei ver aquele discurso de “eu não preciso disso, sou formada há mais de vinte anos, tenho duas pós e um mestrado, blá, blá, blá”.

Pensei mais um pouco. Preciso sim! Se eu quisesse uma grana boa e conforto tava lá na sala das horas mortas. Mas eu fiz uma escolha! Saí de lá e ganho meu dinheiro honestamente, faço minhas festas com a Amarelinda (minha pequena empresa criativa), mas também faço audiências, defesas e diligências, porque preciso. E que bom que rolam diligências de 20 reais e que uma diligência compra quase cinco euros, porque o salário do meu marido paga a escola dos meus filhos!

Sábado trabalhei mais de doze horas, numa atividade extenuante física e intelectualmente. Não reclamei. Hoje é terça, tá friozinho, chove lá fora, fiquei na cama até as nove e agora parei para escrever esse textinho! Luxo máximo!!!

É sempre sobre escolhas. Mas é mais sobre consciência!

Porque muitas vezes, a gente tem a resposta na ponta da língua. Sabe que é sobre escolhas, mas mesmo assim não se conforma. Ainda quer ter tudo, não abandona, de verdade, o que deixou e aí sofre. Já fiz isso muitas vezes, achei que tinha entendido a minha escolha, mas na hora em que precisava enfrentar as consequências dela, esperneava, olhava pra trás e não conseguia desfrutar do que eu tinha ganho. Me concentrava no que tinha perdido, ficava confusa e achava que tinha escolhido errado.

Não sou sempre uma grande sabichona, só às vezes hahaha. Mas tenho tentado fortemente desfrutar as delícias da minha escolha, quando fico matutando umas invencionices pra minha empresa, me envolvo com tecidos, fitas, flores e papeis, faço natação às quatro da tarde e encerro meu expediente às cinco, tomando um cafezinho na frente da TV.

É por todas essas pequenas coisas, que minha grana é curtíssima e o meu trabalho é árduo, mas não me falta nada que é importante e me sobram luxos como esse. Aí o saldo da minha contabilidade é positivo.

Vai ser assim pra sempre? Não sei. Pode ser que um dia eu precise de mais grana, então vou correr atrás, deixar meus pequenos prazeres de lado e desfrutar as vantagens de ter mais conforto financeiro. Nada é pra sempre.

Além disso, com o tempo fui percebendo que a gente não precisa abandonar completamente o que não escolheu. Pode viver aquilo de outro jeito, com outra intensidade, sempre tem uma maneira.

Semana passada li uma coisa que eu adorei e que resume exatamente essa ideia. “Acredite: quando você assume responsabilidades por suas escolhas, em todo beco sem saída existe uma passagem secreta”.

Não é sobre ter tudo, é sobre entender as consequências das nossas escolhas, desfrutar o que escolheu e encontrar alternativas pra viver as nossas perdas. Não deixei de adorar viajar, ainda curto comprar umas roupitchas e sempre vou ser doida por coisas de casa e decoração. Fui me adaptando, comprando menos, mais barato, percebendo que nem precisava de tanto, usando mais a minha criatividade e curiosidade para achar maneiras de viver essas coisas. Achei minha passagem secreta.

Embora toda a escolha tenha o seu luto, sofrer não é obrigatório.

Beijo pra vocês!!!!

Gabriela Sperb

Mãe e filha, mente inquieta. Mestre em direito do trabalho, já foi professora e advogada. Desde 2013, é a feliz proprietária do Um Blog Sobre o Tempo e atualmente trabalha como empresária.



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