Vou chorar

Foto | Yoann Boyer

Se você estiver tão braba a ponto de chorar. Então chore. Isso assusta todo mundo.

Essa “dica” está na biografia da Tina Fey, a atriz americana que imitava a Sarah Palin, a ex-candidata a presidente dos EUA. É considerada uma das comediantes mais bem sucedidas dos EUA, foi a primeira mulher a liderar o time de roteiristas do Saturday Night Live. Achei a dica dela ótima! Uma mulher que chora em público, nos dias de hoje, é considerada uma perfeita maluca. Ninguém se atreve a discordar dela.

Mês passado, li um livro inútil – Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo – em que as autoras – quatro francesas afetadas – dizem o seguinte: chorar não é uma arma, é um ruído, muco, energia desperdiçada inutilmente. Não leiam o livro. Não diz absolutamente nada que os outros manuais de estilo já não tenham dito, exceto umas bobagens que “transformam” as francesas numas chatas, inseguras e dissimuladas. Saudades da Simone.

Mas elas têm razão, lágrimas não servem pra nada. Alguém precisa desenhar isso pra mim. Talvez eu entenda! Porque elas – as lágrimas- – simplesmente saem aos montes dos meus olhos. Nas mais variadas situações. Não são vertidas com nenhuma intenção específica. Eu só choro! O que é um problema.

Tenho uma tia que, sempre, que me encontra faz questão de me dizer que eu sou uma chorona. Acho que ela tem muito medo que eu chore na frente dela. Então é como um aviso. Ela é legal, mas não tolera “esse tipo de coisa”. O que me dá muita vontade de chorar.

Nunca choro de raiva. Choro de emoção, de tristeza e quando levo um pito. Se levar uma bronca muito séria e não estiver com raiva – graças a Deus no trabalho, eu quase sempre estava com raiva – eu vou chorar. Se estiver cansada, vou chorar por qualquer coisa. Dia desses chorei tanto lendo um livro, que o lençol não foi suficiente pra secar minhas lágrimas. Juro! Eu sei que é um saco. Morro de vergonha.

Passei uma vida inteira ou, pelo menos uns vinte anos, tentando me controlar. No trabalho devo ter chorado umas duas ou, três vezes esses anos todos e não me orgulho disso. Graças a Deus, como professora nunca chorei. Mas em todas as outras situações, como mulher, amiga, irmã, filha, mãe eu já chorei muito.

Eu sei. Todo mundo deve manter a compostura, controlar suas feras. Ocorre que de todas as coisas desagradáveis que as pessoas fazem socialmente, chorar é uma das mais inofensivas. Bem melhor do que palitar os dentes. Então vou parar de me importar tanto, vou bancar a maluca, de vez. Só pra perturbar a minha tia e o resto da humanidade: quando estiver com vontade, vou chorar sem filtro.

Buáááááááá! Sabe por que? Porque as pessoas são diferentes. E essa sou eu!

Beijinho no ombro!

Gabriela Sperb

Mãe e filha, mente inquieta. Mestre em direito do trabalho, já foi professora e advogada. Desde 2013, é a feliz proprietária do Um Blog Sobre o Tempo e atualmente trabalha como empresária.



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