A libertação da livre demanda

Foto: arquivo pessoal

Eu contratei uma doula, tive acompanhamento dela no parto e no pós-parto pra auxiliar a amamentação. Antes disso já tinha feito curso de gestante no grupo dessa doula que contratamos e recebi a orientação para amamentar em livre demanda.

Apesar disso, não sei por que nem como, mas eu me perdi no início do caminho e me esqueci de tudo o que eu tinha ouvido nessa época. Acho que pode ter sido a loucura do puerpério ou os palpites que ouvi ainda na maternidade. O fato é que o Gabriel nasceu e eu comecei a dar de mamar seguindo a regra (da época das nossas avós) de amamentar a cada três horas.

Eu não era super super rígida (ao meu ver, mas tirem suas próprias conclusões rs), mas anotava toda mamada num diário e se meu filho chorasse em menos de duas horas após já ter mamado, eu não oferecia peito de novo, pois achava que não devia, porque não era fome e porque eu tinha que aprender a acalmá-lo sem ser dando o peito (algumas pessoas me disseram isso). Hoje eu me arrependo tanto disso…

Quanto choro (meu e dele) eu podia ter evitado nos primeiros meses se eu tivesse simplesmente dado o peito, mesmo que ele tivesse mamado há pouco tempo. Em relação ao peso, não tivemos problemas – mesmo seguindo essa regra besta, Gabriel engordou super bem. Eu chegava à loucura de ficar programando os horários das mamadas nos dias que eu ia sair, antecipando alguns minutos cada uma para poder casar com o horário da saída (imaginem isso!).

Quando o Gabriel estava com quase três meses, me consultei com uma enfermeira especializada em amamentação porque estava com um ducto entupido e tinha medo de ter mastite de novo (tive no primeiro mês). Na consulta, ela me perguntou se eu amamentava em livre demanda e eu disse: “Sim, sempre que ele está com fome, mas mais ou menos a cada três horas”. Quando me ouvi falando isso (e pela cara que ela fez), eu me dei conta de que estava fazendo tudo errado.

Ela me orientou a dar o peito sempre que ele chorasse e me explicou que o peito acalmava mesmo que ele não estivesse com fome. Disse pra eu não me preocupar com essa história dele ficar chupetando meu peito, que isso podia ser bom pra ele porque era um aconchego. E disse também para eu não me preocupar com o fato de ele mamar muito e engordar muito, porque engordar de leite materno não fazia mal.

Resolvi tentar a livre demanda depois disso e devo dizer que foi uma libertação. Nos primeiros dias, mesmo dando de mamar sem horário, eu ainda anotava a hora e a duração das mamadas no meu diário por força do hábito. Até que um dia eu saí e esqueci de levar o diário (sim, eu levava o caderno comigo) e acabei deixando de lado desde então.

Pode parecer que você vai ficar ainda mais presa ao bebê, porque ele vai te querer a toda hora, mas é bem pelo contrário, será uma libertação. Libertação de horário, libertação de medo, libertação de palpites…

Não sei se foi uma coincidência pelo fato de o Gabriel estar completando seus três meses (tudo melhora após essa fase, pelo menos aqui foi assim) ou se foi pela mudança na atitude, mas realmente depois que eu comecei a amamentar em livre demanda ele se acalmou mais e eu também – porque eu sabia que qualquer coisa eu podia dar o peito para ele se acalmar. Conto isso porque eu tinha muito medo de sair com ele e não saber como acalmá-lo caso ele chorasse e ainda não estivesse na hora de dar de mamar (porque, na minha cabeça, tinha que respeitar os horários). Mesmo em casa, eu pirava de ficar pensando o que eu ia fazer no intervalo de duas horas e meia para a próxima mamada caso ele não dormisse e ficasse chorando (o que era bem comum). Coitada de mim e dele, hoje eu penso.

Eu digo que o Gabriel foi um bebê que chorou muito e quase não dormia de dia, mas eu acho que se eu tivesse praticado a livre demanda desde o início isso poderia ter sido diferente. Ele iria se sentir mais aconchegado, iria se acalmar e, consequentemente, eu também ficaria mais calma.

Foto: arquivo pessoal

Nessa consulta com a enfermeira, ela me orientou a também dar de mamar em outras posições e até deitada (eu tinha receio porque achava que tinha que ficar colocando o bebê pra arrotar sempre, mas ela disse que não precisava mais já que ele não tinha refluxo). E essa foi outra boa descoberta: normalmente, de manhã cedo, eu trazia o Gabriel pra minha cama e dava de mamar deitada e aí ele e eu conseguíamos dormir mais um pouquinho – e nessa vida pós-parto, qualquer pouquinho a mais já é revigorante.

Qualquer busca na internet vai fazer com que você encontre um monte de texto defendendo a amamentação em livre demanda (olha só aqui). Para minhas amigas grávidas e para as que ainda vão ficar, eu diria: sim, amamente em livre demanda. Pode parecer que você vai ficar ainda mais presa ao bebê, porque ele vai te querer a toda hora, mas é bem pelo contrário, será uma libertação. Libertação de horário, libertação de medo, libertação de palpites… Será o melhor pra você e para o seu bebê, que é o que mais importa de verdade.


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