Sobre amamentar como for possível

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Foto | Andrew Branch

Hoje, primeiro de agosto, começa a Semana Mundial da Amamentação 2017. O tema deste ano é  “trabalhar juntos para o bem comum”. Por conta disso, teremos uma programação especial no blog, com muitos textos sobre o assunto. Mais uma razão para comemorar é a lei 13.435, de 12/04/17, que instituiu o mês de agosto como o “Agosto Dourado”, ou seja, o mês da amamentação no Brasil. Serão 30 dias para promover, proteger e apoiar a amamentação em todo o país.

Que amamentar faz bem para a mãe e para o bebê, muita gente já sabe. Que fortalece o vínculo, traz benefícios econômicos, ambientais e para a saúde de ambos, também. A internet está cheia de informações, sites e campanhas incríveis pra incentivar a amamentação. Destaco hoje o Amamentar é da Chris Niclas e o Eu apoio leite materno, ambos recheados de informações de qualidade pra quem está precisando. Apesar disso, no Brasil, as mulheres amamentam exclusivamente uma média de 54 dias, sendo que a Organização Mundial da Saúde recomenda 6 meses. Então com certeza temos muito chão pela frente, muita informação pra difundir Brasil afora.

Mas hoje quero falar do lado B dessa história, que é o das mães que não quiseram ou não conseguiram dar o peito. Porque a defesa ferrenha da amamentação, dependendo de como é feita, também pode contribuir para a frustração de tantas mães incríveis que não deram conta deste que é um desafio e tanto para nós mulheres. Nos dias de hoje, dar o peito exclusivamente até os seis meses e de forma complementar até os dois anos é certamente é um dos principais itens da “cartilha da boa mãe”. Só que essa pode não ser uma opção para todas.

Outro grande problema é que muitas pessoas confundem amamentar com amar. Só que amamentar não é um ato de amor. A expert em amamentação Vera P. Vinha defende que:

“Amamentar […] não tem nada a ver com amar. Se fosse assim, poderíamos dizer que os pais amam menos seus filhos? Eles não amamentam. As mães adotivas também não. Ou as mulheres que fizeram plástica. Ou as mães que precisaram desmamar seus bebês para trabalhar…será que todos eles amam menos seus filhos porque não amamentam?”

Amamentar precisa ser uma escolha e cada mulher sabe até onde vai o seu limite. Adianta amamentar e estar em frangalhos emocionalmente? Promover a amamentação precisar ser diferente de oprimir com a amamentação. Então, para a mãe que deseja amamentar, toda a informação e um exército de ajuda. Para a mãe que não conseguiu ou não quis dar o peito, todo o nosso apoio, empatia e admiração. Ainda segundo Vera:

“Amamentar é dar alimento. O melhor alimento. O mais completo e o que melhor nutre o bebê. Já amar é outra coisa. As pessoas que confundem as duas coisas, sem querer, estão fazendo um desserviço ao aleitamento, pois as mães ficam mais ansiosas, culpadas e cheias de temores. Todos sabem que uma mãe tranquila amamenta melhor. E como uma mãe pode amamentar tranqüila se ela acha que estará dando menos amor para seu bebê se fracassar?”

Não faz todo sentido?

Então esse post é pra vocês, mães maravilhosas, que escolheram dar fórmula para seus filhos desde o dia um. Que colocaram prótese e não conseguiram dar mamá. Que tiveram seus bebês na incubadora e tiveram a amamentação prejudicada. Que choraram de dor ao colocar o filho pra mamar e decidiram que aquilo não dava pra aguentar.  Não importa a razão, se foi necessidade ou opção. Eu tiro o meu chapéu pra vocês. Pela coragem de dizer não, de respeitar seus limites e suas escolhas mesmo diante da pressão gigante que sofremos para amamentar.

Para as mães que sofrem pela amamentação que não rolou, perdoem-se. Vocês são… uau!

E, para celebrar o início desta semana e deste mês especial, selecionei essas fotos lindas de mães e pais (sim, porque essa é uma grande vantagem de dar fórmula) amamentando seus filhos com leite artificial. Viva a amamentação, do jeito que for possível!

 

Bella Falconi dando mamá para sua filha Victoria

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Fernanda Gentil amamentando seu bebê

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Pai alimentando seu bebê

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Mãe tomando sol e dando alimento para seu filho

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Mãe dando amor e mamadeira para seu filho

 

 


Comentários

  1. Débora
    01/08/2017 / 19:36

    Sempre te admirei, respeitei seus conhecimentos (aprendi a dar uva à Estela com vc e o Guto) e não poderia deixar de te aplaudir por esse post. Nossa, você como sempre colocou muito bem o aflito de muitas mães. Parabéns! E que agosto seja um mês que possamos falar mais sobre a amamentação 👏🏼👏🏼👏🏼

    • antiprincesasblog 02/08/2017 / 10:27

      Que esse seja um mês de muito acolhimento né Débora! Obrigada pelo comentário!

  2. gabrielasperb 02/08/2017 / 08:14

    Amei! Me senti acolhida. Acho que acolhimento é uma conduta negligenciada por muitas feministas, e o teu blog é muito acolhedor! Parabéns! É de se observar que a recomendação da OMS está dirigida, com mais ênfase, aos países de desenvolvimento com percentuais graves de desnutrição em razão da miséria. Tive duas experiências diferentes com amamentação e, embora, tenha amamentado meu primeiro filho por nove meses, ambas foram muito difíceis. Na primeira vez fiz dieta hídrica, tive mastite, chorei e me escabelei. Na segunda chorei e chorei e não consegui. Aí uma amiga, que sabe tudo, me perguntou se a minha filha precisava mais de uma mãe tranquila e feliz, ou de litros de leito materno? É nós mulheres? Precisamos mais de culpa e julgamentos ou de acolhimento e amor? Mais amor, por favor!!!!

    • antiprincesasblog 02/08/2017 / 10:29

      É isso, Gabi, precisamos urgentemente salvar as mães antes de salvar a amamentação. Mais amor, sempre!!! Um beijo!

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