E você, é feminista?

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Colagem: Vando Figueiredo

Você acha…

Que homens e mulheres deveriam ganhar o mesmo salário para exercer a mesma função ?

Que as atividades domésticas deveriam ser divididas entre homens e mulheres?

Que as mulheres deveriam escolher livremente se desejam ou não serem mães?

Que as mulheres não deveriam ser espancadas por terminarem um relacionamento?

 

Se você respondeu sim a qualquer uma das perguntas, parabéns, você é feminista! Viu como não é tão difícil? E nem precisou tirar o esmalte ou parar de depilar as axilas…

Feminismo é um movimento político, filosófico e social que reinvindica a igualdade de direitos entre mulheres e homens. É dar às mulheres os direitos que os homens já têm na nossa sociedade. É igualar homens e mulheres como seres humanos de direitos. É, ao mesmo tempo, extremamente simples, mas revolucionário. Dito isso, como não ser feminista, independente de você ser homem ou mulher?

É importante frisar que feminismo não é o contrário de machismo. Machismo é uma expressão de superioridade dos homens em relação às mulheres. Já o feminismo busca a igualdade entre os gêneros e não a supremacia feminina sobre os homens. O contrário de machismo é femismo, que aí sim defende uma sociedade hierarquizada com a mulher como superior. E não é disso que estamos falando aqui nessa plataforma.

Uma grande expoente do movimento feminista no século XX foi a francesa Simone de Beauvoir, autora da célebre frase: “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. E o que ela quis dizer com isso? Simone fez uma análise profunda da biologia, da história e dos costumes e descortinou muitos dos mitos associados com o ser mulher (os dois volumes do livro Segundo Sexo, publicado em 1949, somam 896 páginas!). E acabou nos mostrando que o “tornar-se mulher” tem muito mais a ver com a cultura do que com a biologia. Ou seja, o ser mulher não é uma imposição da natureza. Ufa! Com isso Simone nos presenteou com uma coisa chamada liberdade.

Existem muitos feminismos e muitas formas de ser mulher. Ser feminista não quer dizer que odiamos os homens ou que não vamos mais nos depilar ou que não queremos ter filhos. O feminismo é a favor das escolhas da mulher, sejam estas quais forem (inclusive as que citei acima). Então quando a atriz Juliana Paes fala na revista que é “uma feminista de saia, sutiã, salto alto e batom vermelho” ela mostra que não entende nada de feminismo. Mais: ela faz um desserviço ao movimento ao associar feministas com mulheres que não gostam de se arrumar. O feminismo procura sim ampliar o padrão de beleza, para incluir mais mulheres no que é considerado “belo”. Mas defende que cada uma faça o que bem entender com seu próprio corpo.

Por que o feminismo é importante?

Bem, no Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos e morta a cada duas horas, geralmente por seu parceiro ou por um conhecido, apenas por ser mulher. As mulheres negras ganham menos de 40% do que homens brancos na mesma função. As mulheres gastam o dobro de horas por semana em comparação com os homens em atividades domésticas.  Então só a violência de gênero e a desigualdade no mercado de trabalho e dentro de casa já seriam suficientes para balançarmos a bandeira do movimento feminista por aí, não acha?

Mas existem diversas outras razões, que geram debates dentro do próprio movimento feminista. E tudo bem. O movimento feminista negro, por exemplo, chama atenção para o fato de que as mulheres negras muitas vezes não se sentem representadas pelas reinvindicações das mulheres brancas. Porque além da opressão de gênero, as mulheres negras sofrem opressão de raça e de classe, inclusive por parte de mulheres brancas. A questão do legalização ou não do aborto também gera muitos debates internos. Outra pauta envolve a criação de políticas públicas que favoreçam as mulheres, como licença maternidade e paternidade estendidas, creches de qualidade e em período integral, além de cotas que favoreçam o ingresso das mulheres em locais de poder tradicionalmente masculinos, como na política e no controle das empresas. Penso que essa heterogeneidade do movimento é saudável, afinal, há espaço para todas e tem muito trabalho a ser feito.

O feminismo é contra os papeis de gênero tradicionalmente associados à mulher, como o imperativo da beleza ou de ser mãe. É contra a ideia de que por trás de um político ou executivo de sucesso tem que haver uma mulher bela, recatada e do lar. Não! Nós rejeitamos todos esses rótulos, porque lugar de mulher é onde ela quiser. E, como ainda há um pouco de confusão sobre feminismo, machismo e outros termos, preparei um glossário na esperança de clarear um pouquinho.

Machismo Qualquer comportamento ofensivo ao gênero feminino, podendo ser praticado por homens ou mulheres. Pode ser piadinha, assédio, violência física, verbal, sexual ou psicológica.

Misoginia Repulsa e discriminação ao sexo feminino. É o ódio à mulher porque ela não se comporta da maneira esperada pelo misógino.

Sexismo Comportamento que privilegia um gênero em detrimento do outro. Tem a ver com estereótipos de que só meninas devem brincar de bonecas, por exemplo.

Femismo Superioridade do sexo feminino em relação ao sexo masculino. Não, as feministas não querem isso.

Feminismo Movimento que defende a igualdade de direitos entre homens e mulheres, incluindo a ampliação legal de direitos civis e políticos.  Visa combater o machismo, a misoginia e o sexismo.

Ei, você aí, homem ou mulher, não tenha medo de ser feminista. Infelizmente essa ainda é uma dirty word para muitas pessoas e se você ainda não quer se assumir, tudo bem, você pode apenas agir como feminista. O mundo agradece.

Nicole Spohr

Fundadora e editora do FF, mãe do Guto e pesquisadora. Andou meio mundo pra fazer uma tese de doutorado que valesse a pena, mas foi a maternidade que virou sua vida de cabeça pra baixo. Entendeu que mulheres, juntas, têm muita força. E que podem transformar o mundo. Acredita que vale a pena batalhar por crianças feministas e por direitos humanos.



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